Sobre a Maçonaria

O que é a Maçonaria?- A Maçonaria é uma instituição essencialmente filosófica, filantrópica, educativa e progressista.
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Por que é Filosófica?-É filosófica porque em seus atos e cerimônias ela trata da essência, propriedades e efeitos das causas naturais. Investiga as leis da natureza e relaciona as primeiras bases da moral e da ética pura.
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Por que é Filantrópica?- É filantrópica porque não está constituída para obter lucro pessoal de nenhuma classe, senão, pelo contrário, suas arrecadações e seus recursos se destinam ao bem-estar do gênero humano, sem distinção de nacionalidade, sexo, religião ou raça. Procura conseguir a felicidade dos homens por meio da elevação espiritual e pela tranqüilidade da consciência.
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Por que é Progressista?- É progressista porque partindo do princípio da imortalidade e da crença em um princípio criador regular e infinito, não se aferra a dogmas, prevenções ou superstições. E não põe nenhum obstáculo ao esforço dos seres humanos na busca da verdade, nem reconhece outro limite nessa busca senão o da razão com base na ciência.
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Quais são os seus princípios?- A liberdade dos indivíduos e dos grupos humanos, sejam eles instituições, raças, nações; a igualdade de direitos e obrigações dos seres e grupos sem distinguir a religião, a raça ou nacionalidade; a fraternidade de todos os homens, já que somos todos filhos do mesmo CRIADOR e, portanto, humanos e como conseqüência, a fraternidade entre todas as nações.
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Qual o seu lema?- Ciência - Justiça - Trabalho: Ciência, para esclarecer os espíritos e elevá-los; Justiça, para equilibrar e enaltecer as relações humanas; e Trabalho por meio do qual os homens se dignificam e se tornam independentes economicamente. Em uma palavra, a Maçonaria trabalha para o melhoramento intelectual, moral e social da humanidade.
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Qual é seu objetivo?- Seu objetivo é a investigação da verdade, o exame da moral e a prática das virtudes.
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O que entende a Maçonaria por moral?- Moral é para a Maçonaria uma ciência com base no entendimento humano. É a lei natural e universal que rege todos os seres racionais e livres. É a demonstração científica da consciência. E essa maravilhosa ciência nos ensina nossos deveres e a razão do uso dos nossos direitos. Ao penetrar a moral no mais profundo da nossa alma sentimos o triunfo da verdade e da justiça.
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O que entende a Maçonaria por virtude?- A Maçonaria entende que virtude é a força de fazer o bem em seu mais amplo sentido; é o cumprimento de nossos deveres para com a sociedade e para com a nossa família sem interesse pessoal. Em resumo: a virtude não retrocede nem ante o sacrifício e nem mesmo ante a morte, quando se trata do cumprimento do dever.
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O que entende a Maçonaria por dever?- A Maçonaria entende por dever o respeito e os direitos dos indivíduos e da sociedade. Porém não basta respeitar a propriedade apenas, mas, também, devemos proteger e servir aos nossos semelhantes. A Maçonaria resume o dever do homem assim: "Respeito a Deus, amor ao próximo e dedicação à família". Em verdade, essa é a maior síntese da fraternidade universal.
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A Maçonaria é religiosa?- Sim, é religiosa, porque reconhece a existência de um único princípio criador, regulador, absoluto, supremo e infinito ao qual se dá, o nome de GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, porque é uma entidade espiritualista em contra posição ao predomínio do materialismo. Estes fatores que são essenciais e indispensáveis para a interpretação verdadeiramente religiosa e lógica do UNIVERSO, formam a base de sustentação e as grandes diretrizes de toda ideologia e atividade maçônicas.
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A Maçonaria é uma religião?- Não. A Maçonaria não é uma religião. É uma sociedade que tem por objetivo unir os homens entre si. União recíproca, no sentido mais amplo e elevado do termo. E nesse seu esforço de união dos homens, admite em seu seio pessoas de todos os credos religiosos sem nenhuma distinção.
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Para ser Maçom é necessário renunciar à religião a qual se pertence?- Não, porque a Maçonaria abriga em seu seio homens de qualquer religião, desde que acreditem em um só Criador, o GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, que é Deus. Geralmente existe essa crença entre os católicos, mas ilustres prelados tem pertencido à Ordem Maçônica; entre outros, o Cura Hidalgo, Paladino da Liberdade Mexicana; o Padre Calvo, fundador da Maçonaria na América Central; o Arcebispo da Venezuela, Don Ramon Ignácio Mendez; Padre Diogo Antonio Feijó; Cônegos Luiz Vieira, José da Silva de Oliveira Rolin, da Inconfidência Mineira, Frei Miguelino, Frei Caneca e muitos outros.
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Quais outros homens ilustres que foram Maçons?- Filósofos como Voltaire, Goethe e Lessing; Músicos como Beethoven, Haydn e Mozart; Militares como Frederico o Grande, Napoleão e Garibaldi; Poetas como Byron, Lamartine e Hugo; Escritores como Castellar, Mazzini e Espling.
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Somente na Europa houve Maçons ilustres?- Não. Também na América existiram. Os libertadores da América foram todos maçons. Washington nos Estados Unidos; Miranda, o Padre da Liberdade sul-americana; San Martin e O'Higgins, na Argentina; Bolivar, no Norte da América do Sul; Marti, em Cuba; Benito Juarez, no México e o Imperador Dom Pedro I no Brasil.

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Quais os nomes de destaque no Brasil que foram Maçons?-D. Pedro I, José Bonifácio, Gonçalves Lêdo, Luis Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias), Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Prudente de Morais, Campos Salles, Rodrigues Alves, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Braz, Washington Luiz, Rui Barbosa e muitos outros.
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Então a Maçonaria é tolerante?- A Maçonaria é eminentemente tolerante e exige dos seus. membros a mais ampla tolerância. Respeita as. Opiniões políticas e crenças religiosas de todos os homens, reconhecendo que todas as religiões e ideais políticos são igualmente respeitáveis e rechaça toda pretensão de outorgar situações de privilégio a qualquer uma delas em particular.
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O que a Maçonaria combate?- A ignorância, a superstição, o fanatismo. O orgulho, a intemperança, o vício, a discórdia, a dominação e os privilégios.
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A Maçonaria é uma sociedade secreta?- Não, pela simples razão de que sua existência é amplamente conhecida. As autoridades de vários países lhe concedem personalidade jurídica. Seus fins são amplamente difundidos em dicionários, enciclopédias, livros de história etc. O único segredo que existe e não se conhece senão por meio do ingresso na instituição, são os meios para se reconhecer os maçons entre si, em qualquer parte do mundo e o modo de interpretar seus símbolos e os ensinamentos neles contidos.
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Quais as principais obras da Maçonaria no Brasil?- A Independência, a Abolição e a República. Isto para citar somente os três maiores feitos da nossa história, em que os maçons tomaram parte ativa.
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Quais as condições individuais indispensáveis para poder pertencer a Maçonaria?- Crer na existência de um princípio Criador; ser homem livre e de bons costumes; ser consciente de seus deveres para com a Pátria, seus semelhantes e consigo mesmo; ter uma profissão ou oficio lícito e honrado que lhe permita prover suas necessidades pessoais e de sua família e a sustentação das obras da Instituição.
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O que se exige dos Maçons?- Em princípio, tudo aquilo que se exige ao ingresso em qualquer outra instituição: respeito aos seus estatutos, regulamentos e acatamento às resoluções da maioria, tomadas de acordo com os princípios que as regem; amor à Pátria; respeito aos governos legalmente constituídos; acatamento às leis do país em que viva, etc. E em particular: a guarda do sigilo dos rituais maçônicos; conduta correta e digna dentro e fora da Maçonaria; a dedicação de parte do seu tempo para assistir às reuniões maçônicas; a prática da moral, da igualdade e da solidariedade humana e da justiça em toda a sua plenitude. Ademais, se proíbe terminantemente dentro da instituição, as discussões políticas e religiosas, porque prefere uma ampla base de entendimento entre os homens afim de evitar que sejam divididos por pequenas questões da vida civil.
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O que é um Templo Maçônico?- É um lugar onde se reúnem os maçons periodicamente para praticar as cerimônias ritualísticas que lhes são permitidas, em um ambiente fraternal e propício para concentrar sua atenção e esforços para melhorar seu caráter, sua vida espiritual e desenvolver seu sentimento de responsabilidade, fazendo-lhes meditar tranqüilamente sobre a missão do homem na vida, recordando-lhes constantemente os valores eternos cujo cultivo lhes possibilitará acercar-se da verdade.
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O que se obtêm sendo Maçom? -A possibilidade de aperfeiçoar-se, de instruir-se, de disciplinar-se, de conviver com pessoas que, por suas palavras, por suas obras, podem constituir-se em exemplos; encontrar afetos fraternais em qualquer lugar em que se esteja dentro ou fora do país. Finalmente, a enorme satisfação de haver contribuído, mesmo em pequena parcela, para a obra moral e grandiosa levada a efeito pelos homens. A Maçonaria não considera possível o progresso senão na base de respeito à personalidade, à justiça social e a mais estreita solidariedade entre os homens. Ostenta o seu lema "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" com a abstenção das bandeiras políticas e religiosas. O segredo maçônico, que de má fé e caluniosamente tem se servido os seus inimigos para fazê-la suspeita entre os espíritos cândidos ou em decadência, não é um dogma senão um procedimento, uma garantia, uma defesa necessária e legítima, porém como inevitavelmente tem sucedido com todo direito e seu dever correlativo, o preceito das reservas maçônicas já tem experimentado sua evolução nos tempos e segundo os países. A Maçonaria não tem preconceito de poderes, e nem admite em seu seio, pessoas que não tenham um mínimo de cultura que lhes permitam praticar os seus sentimentos e tenham uma profissão ou renda com que possam atender às necessidades dos seus familiares, fazer face às despesas da sociedade e socorros aos necessitados.


Origens

Fundamentos

O conceito de religião natural, como base espiritual da Ordem, alinha-se com a obrigação de cumprir a lei moral e  de trazer religiosidade no peito.   Essa ideologia exposta encontra respaldo no Noaquismo donde emanam inúmeros preceitos, princípios, procedimentos, premissas e proposições que permeiam os aspectos doutrinários.


Noé, último dos patriarcas pré-históricos, exemplo de fé (Hebreus 11:7),  arauto da justiça (2 Pedro 2:5), representante de toda a Humanidade pela vontade de Deus,  homem justo e perfeito (Gênesis 6:9), aquele a quem Deus disse “quem derramar o sangue de seu semelhante também terá o seu sangue derramado (Gênesis 9:6)”, enfim, foi protagonista da Primeira Aliança com Deus, conforme retratado nos capítulos 6 (seis) e 9 (nove) do Gênesis, abrangendo toda a Criação e as futuras gerações, deixou legado de artigos (mandamentos noaquitas) morais, a saber:

a) praticar a equidade (e observar a justiça);
b) não blasfemar o nome de Deus (e dar glória ao Criador);
c) não praticar a idolatria;
d) não praticar atos imorais ou inescrupulosos;
e) não matar;
f) não roubar;  e
g) guardar-se da fornicação, dos atos impuros e da iniqüidade.

A formação mítica basilar da Ordem (calcada na Lenda do Terceiro Grau), parte da premissa  de que o arquétipo do Mestre Maçom, construtor social na abordagem atual, é paradigma  de arquitetura humana perfeita e vem representado, de um lado, por Salomão e seu grande Arquiteto, do templo de Jerusalém, e, de outro lado, por Vitrúvio (Marcos V. Polião, inexcedível arquiteto romano), comandado do Imperador Augusto, em Roma.  Tal afirmação visa a propiciar a permanência, em tempo e espaço, dos elementos cuja existência tem garantido o processo civilizatório, como se seguem:
- um grande homem   -   o Maçom -   falível mas perfectível;
- uma estrutura singular   -  a Loja -   com decisivo corte sagrado/profano via o Rito,  ênfase na ajuda mútua e submissão serena à constituição e regimentos comuns;
- uma elite sustentada pelo mito   -   a Maçonaria -   capaz de ações enaltecedoras, movida que é pelo Amor, o Bem e a Ética.

 

A Loja

William Shaw,  nomeado mestre-de-obras do rei da Escócia, em 1553, controlava a contratação de pedreiros e construtores.   Em 1598, quatro anos antes de morrer (1602), codificou as regras de criação de lojas corporativas (a primeira carta de St. Clair; para maçons).  Após sua morte declinou e “morreu”, também, a função de mestre-de-obras-do-rei.


As lojas, maciçamente voltadas para a recepção de Aprendizes e aumento de salários (para Companheiros), passaram a evoluir autonomamente. O uso do termo “maçom” consolida-se por volta de 1610, associado ao modo secreto de identificação que comprovava a qualificação profissional do obreiro.

Por volta de 1630  começa a crescer bem o número de “aceitos”, geralmente vindos das classes burguesas ou nobres,  em lojas, oriundos de fora do “métier” corporativo dos talhadores de pedra.
A presença desses  “aceitos” em loja só pode ser explicada por hipóteses, quais sejam:
- interesse pela tradição, supostamente preservada pelos maçons;
- busca de espaço de convívio ou sociabilidade;
- ligação profissional com a corporação de construtores; ou
- iniciativa de maçons para atrair patrocínio de homens influentes.

Nas origens, tal como hoje, os “aceitos” dotados de poder, influência e ou autoridade não freqüentavam as lojas;  aqueles dentre eles que se permitiam freqüentar, dominavam a “vida” da loja.

Isaac Newton (1642-1727), astrônomo, físico, filósofo e abade inglês, considerou o Noaquismo a religião primitiva dos hebreus, e, assim o resumiu:   “Amar ao Senhor Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o espírito, e ao próximo como a si mesmo”.

 

Modernidade

Vale destacar que a simples transição, geralmente divulgada, da chamada Maçonaria Operativa, via “pedreiros-livres”, para a Maçonaria Especulativa,  nunca conseguiu explicar de forma justa e perfeita o porquê da Ordem Maçônica ser linguagem universal, regular, prazerosa, emblemática, planetariamente bem resolvida e assimilada, repositório imemorial dos mistérios e  da Tradição.


As Lojas dos séculos XVII e XVIII participaram da gênese de uma  “esfera pública burguesa”  como contrapartida da perda gradual de posição dominante, tanto das Cortes quanto da Igreja. Poucos,  muito poucos documentos existentes sobre a Inglaterra do século XVII não permitem representar precisamente a organização da profissão do maçom;  havia, sim, certa heterogeneidade de práticas diferentes.

Em 1717/1720, situado caracteristicamente na Inglaterra, surge um grupo de pertença maçônica, de sociabilidade,  com quatro elementos típicos principais, a saber:
1- reivindicação da religião natural como base espiritual;
2- inserção do grupo em contexto tradicional, vinculado ao trabalho do artesão e construtor civil;
3- prática de Rito elaborado;  e
4- cooptação dos membros via obrigação de sigilo, principalmente quanto às reuniões.

Entre 1670 e 1730, nos clubes, cafés, salões, academias científicas, sociedades de intelectuais e, nas Lojas, aristocratas e burgueses encontravam-se para “construir juntos” um uso público do seu entendimento convergente. Esses espaços propiciavam a realização da aspiração “do debate permanente entre pessoas privadas”.

Três princípios presidiam à afiliação dos participantes:

  • a exigência   -   ainda que não se concretizasse   -   de uma sociedade onde a autoridade dos argumentos prevalecesse sobre a hierarquia social (embora não anulasse as autoridades presentes);
  • o debate amplo sobre domínios e dominações, dominantes e dominados, notadamente obras literárias e filosóficas, nunca antes acessíveis;

  • a consciência de pertença a um território mais amplo, a própria “sociedade civil”,  ainda que a  sociabilidade da Loja tenha natureza de  “círculo fechado”, mas socialmente homogênea.

A maçonaria moderna, que apresenta déficit de textos precisos relacionados às origens, surgiu antes do Reino Unido;  em 1707 houve o tratado da união entre Escócia e Inglaterra;  o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda nasceu em 1808. A última quadra do século XX viu emergir, com certa força e vigor, a pesquisa sobre o fato e o trato maçônicos, o que vem trazendo luz sobre seus parâmetros sociológicos e dados constitutivos.


Hoje, com o concurso de investigadores acadêmicos, nem sempre maçons, mas atores fiéis aos fatos históricos e sociológicos, admite-se que a Ordem Maçônica atingiu o estágio atual ao evoluir a partir de três transições principais,  ditadas pela vontade do GADU, a saber:

a) da situação “Operativa”, acostada nas Associações de artífices e profissionais da construção e do talho da pedra, para  uma natureza mais “Especulativa”, de forma lenta e gradual, em vários séculos, capaz de avaliar a conjuntura da sociedade e delinear seus rumos ideológicos;

b) a criação da Grande Loja de Londres  -   a   “Premier”  -   que foi acompanhada  por profundas mudanças de simbolismos, rituais, cargos e encargos, e mais simultânea e profundamente, ainda, no “êthos”  de cada indivíduo, robustecendo o sentimento de pertença em relação ao caráter e ao protagonismo, individual ou coletivo, a cumprir, bem como o “éthos” da instituição, que  reforçou ontológica e antropologicamente a atuação da Ordem no contexto da Família, da Pátria, da Sociedade e da Humanidade, tecendo, assim, em pleno Humanismo e Iluminismo, do século das Luzes (sec. XVIII), rumos institucionais e filosóficos;

c) após  algumas rebeliões e rompimentos a terceira transição ocorreu sob forte  reconciliação entre contendores radicais,  em 1813, e a criação da Loja-Mãe Unida da Inglaterra, consolidando, afinal, caminho iniciático, litúrgico e simbólico.

d) Cumpre assinalar, afinal, sobre as origens da Ordem, em que pese  o cenário multifacetado e, ainda, pouco preciso dos textos históricos, que os estudos são sempre enaltecedores e repletos de dignidade humana, jamais tangidos por fundamentalismo,  sentimentos ou intenções menores, ou, que signifique menoscabo em relação à Criação, à Criatura e ao seu Criador.


Maçonaria no Brasil

Generalidades

O grande feito da Maçonaria,  já nos séculos  XVII  e  XVIII,   foi exportar o ideal revolucionário e republicano para toda a América (do Norte e Latina). Foi a grande mudança de paradigma. Centros geográficos como Olinda e Recife, Salvador,  Tijuco (depois Diamantina)  e  Vila Rica  (depois Ouro Preto),   até mesmo em função da tremenda mudança de paradigma que foi a colonização das Américas, já reuniam grande riqueza e grande número de imigrantes. Luxava-se mais em Olinda e Vila Rica do que mesmo em Lisboa.


Como o ideal de Fraternidade é de natureza expansionista, as idéias de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, logo  varriam todas as Américas. Em 1760, por exemplo, já não havia colônia americana que não fosse permeada pela Maçonaria.

A primeira loja regular em Portugal data de 1727, embora se tenha notícias de atividades maçônicas antes disso.      Em 1744 o Sr. Sebastião José de Carvalho e Melo, português, foi iniciado em Londres, durante uma festa de São João.       Esse cidadão português mais tarde foi sagrado Conde de Oeiras e, depois, Marquês de Pombal.


Um outro centro irradiador de idéias e ideais, já desde 1620, era a Faculdade de Medicina, Ciências e Letras,  da Universidade de Montpellier, na França;     manteve ligações permanentes com figuras como  Thomas Jefferson,   Benjamin Franklin,   John Adam,  Domingos Vidal Barbosa, José Mariano Leal,   Domingos José Martins,   José Joaquim da Maia   e   José Álvares Maciel entre outros;    no século 18,  em  Montpellier,   havia mais do que 10 lojas maçônicas livremente fermentando idéias republicanas nos diferentes estudantes de todos os cantos do mundo.


Primórdios brasileiros

Kurt Prober, que sempre escrevia apoiado em sólida documentação,  cita em sua bibliografia  (“Cadastro Geral das Lojas Maçônicas”) que a primeira atividade maçônica brasileira que merece registro foi em 1724, na “Academia Brasílica do Esquecidos”, onde foi iniciado o Padre Gonçalves Soares de França, o Coronel (e historiador notável) Sebastião da Rocha Pitta, o Desembargador Caetano de Britto e outros.     Mais tarde todas as atas dessa sociedade secreta foram queimadas.

O argentino Alcebíades Lappa, em 1981, em tese internacional, usando um Livro de Atas do Duque de Norfolk, em Londres, provou que o Ir.: Randolph Took foi designado, já em 1735, como Grão-Mestre Provincial para a América do Sul ( o que equivalia a dizer Brasil).

E mais ainda, há uma carta do médico inglês Robert Young, em nome da Loja de São João, de Buenos Aires, em 1741, dirigida à Loja de São João do Brasil, recomendando-lhe o Ir.: Richard Lindsey que se encontrava no Brasil.
Há vestígios da existência,  em 1750,  de um grande Oriente Maçônico, em Salvador, vinculado ao grande Oriente da França, com fortes tendências liberais e republicanas. No Rio em 1752 foi criada a Associação Literária dos Seletos.


GOB

Criado em 17 de junho de 1822, o Grande Oriente do Brasil - GOB, única potência brasileira a deter o reconhecimento primordial, secular e definitivo da Loja-Mãe da Inglaterra,  inscrito entre as quatro ou cinco maiores potências maçônicas do mundo, tem cadeira cativa e fortemente destacada na história do país,  tanto no período monárquico quanto no republicano. O século 18 foi marcado pelo Iluminismo,  o 19 pelas ideologias e o 20 pela emergência e domínio das tecnociências.

 

Estado da Arte

No  século XX três (3) vertentes científicas mudaram a face da humanidade com efeitos revolucionários radicais:

  • a manipulação do átomo  ( e a energia atômica) => desde a dizimação de cidades inteiras comcentenas de milhares de mortos, até a pesquisa na agricultura, na medicina e na química, com radioisótopos para medir taxações diversas, radioterapia, estados de nutrientes etc.;     a energia atômica e a física nuclear tocam um papel importante no concêrto das nações indicando o parâmetro principal na questão da hegemonia entre eles   (quem tem mais manda mais);

  • a manipulação do gene  (a biologia molecular e a biotecnologia)  =>  o conhecimento da estrutura genética tem produzido inúmeros benefícios, mormente na agricultura, onde aumentou substancialmente a produção e a produtividade na plantação e colheita dos gêneros horti-fruti-granjeiros;     pesquisa de germoplasma têm sido muito importante na construção de cadeias nutrientes mais viáveis e assimiláveis;     o estudo de clonagem tem introduzido grandes barateamentos na produção;    estima-se que dentro de 30 anos  (ou menos)  a técnica de criogenia estará totalmente dominada e disseminada;

  • e a tecnologia de redes de computadores  =>  minimizando a  tirania  que  tempo e distância sempre  impuseram sobre  o gênero humano;    com  o computador  vence-se,  em parte,  a  tirania  do  tempo,  dando-se  agilidade  às  tarefas  de  memorização;   e,  pelas  redes  de  computadores,  minora-se  o efeito  maléfico das  distâncias  a  serem  vencidas,  dado  que  o homem  pode  manifestar-se,  simultaneamente,  em  dois  ou mais  lugares  do planeta  pelo uso  e  exploração  da  tecnologia de redes.

O gênero humano está entre 2 (dois) mundos, quais sejam:    o mundo natural  (da Natureza)  e  o mundo cultural  (da construção cultural originária da própria mente humana).     A cultura é obra do homem que, com o seu fazer e o seu saber, age sobre a NATUREZA.     O homem,  portanto,  muda a Natureza e a Natureza mudada muda o homem;     por exemplo:    o rio São Francisco, da unidade nacional, é natureza, já sua transposição das águas, é canal,  é cultura.

As mudanças, que implicam  ruptura com a ordem estabelecida, são todas temáticas;     não obstante isso até o início do século XX as mudanças eram administráveis.   e  agora?!

O quadro atual da humanidade,  portanto, tem sido marcado pela entropia e pela difusão caótica dos costumes e dos conhecimentos como se apontasse para o momento da virada total em que surgirá a ORDEM (nascida do caos)!      A cultura, que na Idade primitiva era transmitida pela tradição oral   -   passando pelos monges copistas, da Idade Média, e pela imprensa de João Gutemberg, no Renascimento   -,    hoje já está sendo veiculada pela multimídia,  que é um substrato computadorizado que canaliza Dados, Voz, Vídeo e Videoconferência,  sob  a  forma  abstrata  de  bits,  pela  rede!


Maçonaria no mundo

Fundamentos:

A Maçonaria é Associação política, religiosa, esotérica, filosófica... ?
Embora exiba componentes variados que guardam, no âmbito da Ordem, nuanças características de todas essas vertentes, a essência da Maçonaria não se identifica com nenhuma delas, em particular. O fim do século XX, em plena Era da Informação e do Conhecimento, viu crescer a pesquisa sobre a maçonaria. Interesses comuns de instituições maçônicas e de pesquisadores acadêmicos mesclaram-se.   Essa forma de agremiação produz e é produto, a um só tempo, de interesses e aspirações, de convergentes e divergentes.

 

Fato social (sociabilidade):

No fundo, no fundo, a maçonaria encarna um soberbo exemplo de dicotomia, ou melhor, da contradição existente entre o fato social e sua própria representação;  é que:
a) os textos e arquivos históricos existentes falham ao explicar as origens desse grupo de
pertença   -   em três níveis de pertença “justapostos”:   o maçom propriamente,  a Loja e a Obediência   -,  no início do século XVIII, tanto na Inglaterra ou Escócia quanto, em seguida, na França;
b) a plasticidade, em suas multivariadas formas e estilos, das Lojas torna temerária toda e
qualquer generalização, que vai abranger vasto domínio entre a sociabilidade tradicional e a sociabilidade democrática; entre a reflexão esotérica e a militância política (embora nunca partidária);
c) a cultura que serve de base para o segredo maçônico, tanto da parte dos maçons quanto das
associações maçônicas, ao mesmo tempo, demanda acusações e defesas tudo em prol dos próprios interesses maçônicos;
d) a influência da maçonaria suposta e, às vezes, celebrada por maçons é raramente estudada
e trabalhada em larga escala, de modo sociológico ou social (como nesta breve abordagem);
e) e, sobremaneira, a Iniciação e o(s) Rito(s) praticado, cerne da Ordem Maçônica, requerem cultura densa, insofismável e específica, plasmada dentro do vasto campo da crença, para o pleno entendimento dos significados e  extensão dos conceitos.
A contradição, situada entre a realidade maçônica e sua imagem, resta desvantajosa, presentemente, diante da expressa vontade institucional de aumentar o recrutamento e, simultaneamente, erradicar as possibilidades de achaques e ataques gratuitos, aqui e ali, de que é vítima a Ordem.

O fato social maçônico   -   a despeito dos quase três séculos de existência da chamada maçonaria “especulativa” ou “moderna”   -   é pobre e parcialmente descrito, ainda hoje, quer nas obras sagradas ou polêmicas, quer pelos maçons (individualmente) ou pela mídia ou, ainda, pelas instituições maçônicas ou por quem as hostilizam, enfim, pela expressiva maioria dos atores envolvidos nesse fato social.

O espaço social maçônico, nesta Era do Conhecimento em que se vive, caracteriza-se por obediências que tecem sociabilidade em bases e identidades específicas.    Diferentemente dos séculos anteriores, a Ordem Maçônica tem administrado seu espaço social, mediante o protagonismo de seus atores, suas regras “interna corporis”, seus preceitos e seus conflitos domésticos, de forma bem autônoma, a despeito dos embates do passado com a política de governos despóticos e a religião “detentora do monopólio” do sagrado.

 

Modernidade

No mundo contemporâneo, e a Ordem Maçônica não é refratária a isso, as sociedades sofrem o fenômeno da desinstitucionalização.   Este fato social atinge todas as instituições (religiões inclusive) cuja razão de ser é a de guardar e disseminar uma Tradição.
Aí, então, o progresso atual conspira a favor da autonomia da pessoa e a consequente  individualização do “credo maçônico”,  ou seja  “é a crença sem pertença”.

Salvo listas e listeiros regidos por moderadores eficientes e dotados da necessária seriedade e fidedignidade aos preceitos, premissas, princípios, procedimentos e proposições da Ordem, uma das conseqüências  do fato social fenomênico (acima) é o crescimento de Ordens espúrias (não reconhecidas), sem qualquer tratado válido para “inserção” e amizade, bem como a infestação de crises, revelações, conflitos, confrontos, pela Internet,  quase nunca merecedores de fé  e  ou  credibilidade em muitas listas e listeiros.

A Maçonaria,  enquanto   instituição   iniciática,  repleta  de  ensinamentos  místicos   e  simbólicos,  é  um  sistema  de  moral  e  ética   que  não   deriva  da   antropologia   religiosa.

Pensar em um Estado onde se possa estar organizado, vivendo livres, aprendendo e ensinando, sendo a expressão da Vontade manifestada às claras e sem compromisso escuso, com certeza é, ainda, simples aspiração e utopia. Mas é exatamente nas utopias e nos sonhos onde se encontram os responsáveis pelo movimento do mundo.

 

Utopia

A  utopia não é  pura  e  simplesmente  uma  obra  de fantasia;     o mundo   ideal   que  revela,   está  fortemente  relacionado   com  a  história   do homem  em   sociedade.  A   sociedade, sob os auspícios e augúrios das crises, em   que  o  mal  tende  a  prevalecer  sobre  o Bem,  a  injustiça   sobre  a  justiça,  o falso sobre  o verdadeiro,  o ódio  sobre  o amor, é a tese.      A utopia  é  a perspectiva  contrária, é a antítese imersa em um mundo dialético.

Nunca,  como agora,  a  Maçonaria  aproximou-se  tanto  da  utopia  restauradora  como nesse   3º milênio,  dado que  só  o pensamento    místico  será capaz de lidar,  a  um só tempo,   com  medo,  violência,  criminalidade,   ricos  e  miseráveis,  limpeza étnica  etc...

A Maçonaria e seus adeptos prova e comprova que é possível viver ao lado do Ara – Altar dos Juramentos, balizados pela idéia do sagrado e orientados pela lenda ou mitologia, agir de modo consentâneo com a realidade circunstante de cada nação em que está sediada (de modo extraterritorial),  lograr ser visível, permanente e bem sucedida, sempre municiados por uma doce utopia.

A utopia ou ilusão da virtude, dos valores axiológicos, da Verdade, do espaço social maçônico, se, de um lado, pode plasmar, no obreiro, uma “metamorfose ambulante”, bem de acordo com a Era da Informação e do Conhecimento, atual, por outro lado dá o mote, o foco e a convergência para as lides maçônicas, além de “construir o homo maçonicus”, o ser do futuro.

 

Espaço social

O viés do espaço social maçônico, ainda polarizado pelas idéias de forma (institucional) e conteúdo (parte substantiva)  desdobram-se em complexidades que minimizam a contradição derivada da atuação.   Vigoram, como pano de fundo, questões abertas e indagações primordiais derivadas do lado substantivo (ou substancialista) e derivadas   do lado institucional.

  • Espaço Social Maçônico substancialista:

Maçonaria é grupo de pertença, com Forma e Conteúdo: a Forma é mais ou menos institucionalizada, a despeito da potência em tela;o Conteúdo é formado, principalmente, do Credo, do Rito e do Segredo. Forma e Conteúdo mudaram e ainda mudam, no tempo e no espaço (há Rito Mexicano, Rito Brasileiro, Rito Sueco ..., ao lado dos Ritos mais tradicionais). Inúmeros textos (obras) publicados tendem a acentuar substantivamente o efeito da continuidade (da tradição) e a minorar as diferenças, as transformações e as rupturas.

  • Espaço Social Maçônico institucional:

A história da maçonaria é centrada nas instituições e acaba por desprezar o investimento individual de cada obreiro;
-que razões atraem o profano para viver ao lado do Ara?
-por que ser maçom?   Por que ser assíduo nas reuniões maçônicas?   Por que afastar-se e ficar
irregular?,
-como o rito e sua cosmovisão são ensinados?
-deve-se revelar ou não a inserção no espaço social maçônico?

É a defasagem existente entre a sociedade ideal e a real, entre o diireito e o fato (com seus fados e fardos da vida), entre o ordenamento jurídico da democracia profana e as crises do mundo contemporâneo    -    nos planos ecológico, moral, social, decadência espiritual etc...   - que motivam o maçom e a maçonaria a trabalhar, coletiva ou individualmente, em prol da melhoria da família, da sociedade, da pátria e da humanidade.

O discurso maçônico, então, está sempre medindo, avaliando, a distância que separa a sociedade ideal   -   construída  “interna corporis” nas lides  maçônicas da Oficina    -   do mundo real, “externa corporis”, onde mora o obreiro e porfia sua própria existência   Engajamento, harmonia consigo mesmo, certas inquietações e questionamentos metafísicos, caráter excepcional da sociabilidade maçônica, calor humano, fraternidade, entendimento, por exemplo, são coisas que só os maçons possuem!

 

Pelo mundo

 

Maçonaria nas Américas:

  • EUA

Há duas possibilidades na maçonaria americana, para além de ser o país com o maior número de maçons, quais sejam:
- a existência paralela de dois sistemas independentes, um para negros e outro para brancos,baseados nos mesmos modelos;
- as Grandes Lojas desenvolvem seus trabalhos autonomamente, nos estados, sendo 50 (menos o Hawaii) de brancos,  e 41 de negros (no círculo dos quais é bem maior a militância no espaço público). O número de maçons, neste país, é estimado em algo próximo de três milhões de obreiros, com menos do que 15% de negros.

  • CANADÁ

O Canadá, país pertencente ao Reino Unido, sofre influências das pertenças maçônicas de, pelo menos, três nações, a saber:
-EUA  pela proximidade e quantidade de obreiros ativos neste;
-Grã-Bretanha pela ascendência cultural em relação aos anglófonos; e
-França idem quanto aos francófonos, que ocupam regiões importantes do Canadá.

  • MÉXICO (e Latinos)

Em que pese a influência e a proximidade americana, o México está bem integrado na Confederação Maçônica Interamericana, cuja próxima Grande Assembléia, em 2012, será sediado no Brasil/GOB.

A Carta de Bogotá, resultante da XXI Grande Assembléia, em 1-5.ABR.2009, reiterou preceitos, premissas e princípios milenares, passou em revista o cenário de desenvolvimento e progresso das nações, inspecionou o atual estágio da ciência e da tecnologia e reafirmou intenções de transformar em ações o pensamento maçônico. Os signatários, em número das maçonarias de dezoito países, contaram, também, com a  chancela de três países europeus, como observadores.

Maçonaria na África:

A influência da colonização fez com que a maçonaria africana fosse de importação britânica ou francesa.   A independência das nações africanas, aqui ou ali, fez com que as Lojas estrangeiras formassem obediências nacionais.
As relações maçônicas nacionais e continentais tendem, presentemente,  a copiar e aprofundar as facções de liberais (não reconhecidas) e regulares, dos moldes europeus.  Já no século XXI as pertenças maçônicas são, em maior número, francófonas.

Maçonaria na Europa Oriental:

Europa Ocidental  (onde a maçonaria, única Ordem Iniciática ocidental, nasceu) e EUA colaboraram e, ainda, colaboram, desde a queda do Muro de Berlim (1989), quanto à retomada das atividades maçônicas nos antigos países comunistas, fornecendo ritos, materiais, recursos pecuniários e livros.


Como posso tornar-me Maçom?


Antes de mais nada, o postulante ao ingresso nos quadros da Ordem Maçônica, deve autoavaliar-se em busca de valores, costumes, atitudes (interiores), e  comportamentos sociais exteriorizados cotejando-os com algumas premissas a seguir apresentadas.

O Candidato deve, portanto,  identificar-se com os aspectos a seguir:

  • Legal:

- ser emancipado e ter completado 18 anos antes da cerimônia de Iniciação;
- ser dependente pecuniariamente, obter anuência dos tutores ou genitores;
- ser engajado em união estável, contar com a concordância da esposa;
- ser um homem íntegro, ligado e atualizado em relação ao seu tempo;
- ser empreendedor e capaz de assumir responsabilidades;
- ter emprego, residência e domicílio fixos, no Oriente (estado, município) pleiteado; suas atividades profissionais devem ser lícitas, não importando o metier;
- esperar encontrar na Loja pleiteada, homens livres, de bons costumes, capazes de realizar obras poderosas em benefício da Humanidade, da Pátria e da Família;

  • doutrinário:

- ter religiosidade, melhor do que religião;
- crer em Deus, acima de tudo;
- ter uma idéia clara da virtude e do vício, adotando aquela e rejeitando este;
- estar apto a apreender conhecimentos litúrgicos e filosóficos;
- distinguir entre religião e maçonaria;
- ser respeitado na Iniciação, não só pelas características esotéricas, exotéricas e metafísicas do evento, como pelo significado simbólico trazido pelas nossas tradições e regularidade;

  • prático:

- apresentar bons costumes;
- ter boa família;
- seguir as leis;

  • metafísico:

- ser receptivo às idéias;
- estar ideologicamente alinhado com a idéia de Deus;

  • da tradição:

- estar apto; ou pronto, disposto e capacitado, sponte sua;

  • iniciático:

- creditar respeito ao processo;
- manter o espírito receptivo (“nada lhe será cobrado; tudo lhe será dado”);

A admissão à Maçonaria é restrita a pessoas adultas sem limitações quanto à raça, credo e nacionalidade, desde que gozem de reputação ilibada e que sejam homens íntegros.

Nenhum homem, por melhor que seja, poderá ser recebido na Maçonaria, sem o consentimento de todos os maçons. Se alguém fosse imposto à Maçonaria, poderia ali causar desarmonia, ou perturbar a liberdade dos demais, o que sempre deve ser evitado.
A aceitação do pedido de ingresso na Ordem depende bastante da declaração de motivos do candidato. A Ordem espera que o candidato seja sincero perante sua própria consciência, quando do preenchimento da proposta de admissão.

Quando alguém se candidata a ingressar na Maçonaria, é verificado em sindicância se dispõe de ganhos pecuniários que permitam cumprir os compromissos maçônicos, sem sacrificar a família.   Vale dizer que nenhum homem casado poderá entrar para a Maçonaria sem que a esposa esteja de acordo.

É óbvio que, ao se iniciar na Maçonaria, o indivíduo deverá assumir compromissos derivados de participação engajada e responsável nas lides maçônicas. Entre os compromissos e responsabilidades, encontram-se aqueles de estudar, com mente aberta, as instruções maçônicas, bem como, o de considerar denso sigilo sobre os ensinamentos recebidos e contribuir pecuniariamente para a manutenção de sua Loja e sua Obediência. Os compromissos e responsabilidades, a propósito, são do mesmo gênero daquelas encontradas em qualquer associação humana.

É fato inconteste que uma das finalidades da Ordem é a de implantar sistematicamente na sociedade humana uma efetiva fraternidade entre os homens.

Ao contrário do “folclore” que alimenta a crença de muita gente, a Maçonaria não é uma sociedade secreta e exerce suas atividades extensivamente, sob o pálio da legitimidade de sua natureza e da legalidade de seus atos e fatos administrativos, fiscais e tributários. Suas Propriedades, Constituições, Emendas, Regimentos e Estatutos são registrados em cartório de imóveis, títulos e documentos, e publicados em Diário Oficial.

Uma vez Iniciado, o postulante torna-se Maçom, e, como tal, estará, para todo o sempre,   sob constante vigilância de sua própria consciência e dos demais Maçons.

Isso posto, havendo seu interesse em “entrar” na Maçonaria, entre em contato com um Maçom de seu conhecimento ou com uma Loja Maçônica de sua cidade.





 
 
 
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